Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
RP Boo
Bangs & Works mantém-se, ainda hoje, como um dos arquivos sonoros mais pujantes da extensa cena musical de Chicago. E porque nem só de house a cidade fez história, esta compilação da Planet Mu foi, para muitos, um convite a outras realidades paralelas. A subcultura incandescente do footwork surge aqui celebrada em dois generosos volumes absolutamente intemporais.
Tantas vezes citado como pioneiro desta linguagem urbana tão específica, Kavain Wayne Space deu o corpo à dança, mas encontrou-se plenamente na magia da mistura e na arte da produção sonora. Pelo meio, esteve no lugar certo à hora certa. Presença assídua em qualquer boa festa, rodava malhas como ninguém: desorientador, urgente, incessante. Encontrou no alter ego RP Boo um canal aberto para a militância, sim, mas também para a exploração. De resto, o seu estilo agreste e confrontativo traduz muito das suas origens: as battles, as raves e, acima de tudo, essa vontade indomável de provocar uma faísca boa.
A seu tempo, criou uma identidade ímpar, de expressão inigualável. Lenda viva que nunca abandonou a sua comunidade artística nem a sua visão, mas que, durante anos, conciliou a criação com os trabalhos necessários para pagar as contas. Foram quase duas décadas até que o nome e a obra de Boo chegassem a outros patamares e a outros públicos. Tudo isto sem holofotes, tendências virais ou concessões criativas; simplesmente pelo reconhecimento - tardio, é certo, mas honesto - de quem imaginou e pavimentou um terreno hoje considerado imensamente fértil. Álbuns como Legacy ou Established! reúnem temas-bala numa celebração pura de ritmo, repetição e delírio. Enquanto outros procuraram roupagens menos abrasivas e mais uniformizadas, RP Boo manteve os rasgões e as nódoas de quem viveu, e transporta no corpo, essa luta e essa resistência.
A natureza aparentemente “incompleta” ou lacónica da sua música abre espaço à especulação imaginativa. E que melhor trunfo pode ter um artista? Descobrimos camadas sobre camadas, perceções sobre perceções. Caos e ordem, lado a lado, desafiando-se e complementando-se com o abismo à espreita. Na última passagem por cá, algures em 2022, deixou clara a estamina que reina nas suas atuações. Sem pruridos nem enganos, é uma força maior do nosso tempo.
NA
~
Vampiro
De Lisboa e do Coletivo Lenha, os sets do Vampiro são como reviver uma house party em Baltimore, do ponto de vista de quem nunca esteve em Baltimore mas viu The Wire.
Abertura de Portas
21:00
Preços